Buscando em minhas lembranças, hoje consigo ver que sofro com lesões no quadril há alguns anos. Nunca fui um corredor de longas distâncias (elas sempre tinham distâncias menores que 7km) e quase sempre perdia a regularidade de minhas corridas por causa de outros compromissos.
O fato é que sempre me machucava após algumas corridas mais longas. A lesão sempre acontecia na articulação esquerda do quadril, onde o fêmur se conecta ao osso da bacia.
Como a maioria dos brasileiros, sempre me automedicava, tomando um anti-inflamatório durante alguns dias, até a dor deixar de incomodar. Quando ela sumia corria normalmente durante algumas semanas, mas depois de ficar mais animado com a corrida e aumentar a distâncias das mesmas, lesão novamente.
Isso fez com que minha vida de corredor não pudesse ter a regularidade devida, que além dos compromissos pessoais e de trabalho, me faziam baixar minhas marcas.
Me lembro que isso deve ter acontecido por seis ou sete anos, antes de ser diagnosticado com impacto fêmoro acetabular do tipo CAM. (nas próximas postagens tentarei explicar a diferença entre os tipos Cam e Pincer)
I.F.A. como é conhecido, nada mais é do que quando o fêmur cresce um pouco mais do que deveria próximo da região conhecida como cabeça do fêmur. Falando de modo leigo (que é o que meu conhecimento me permite), o osso fica com um diâmetro maior nessa região e em alguns movimentos específicos das pernas, choca-se com o osso da bacia. Isso causa na maioria das vezes lesões na cartilagem da articulação e também no labrum, uma espécie de anel de vedação da articulação.
Em 2014 quando tentava aumentar as distâncias de minhas corridas cheguei a me machucar por três vezes, e após isso acontecer decidi procurar um ortopedista.
O ortopedista que me atendeu no setor de emergências de um hospital de São José dos Campos conseguiu dar o diagnóstico através de duas radiografias do quadril, uma delas chamada de frogleg (perna de sapo) que é tirada com as pernas flexionadas e abertas, conforme mostra a figura seguir.
A opinião desse ortopedista foi a de que eu deveria parar de correr para evitar dores e lesões e procurar outros esportes, tais como, bicicleta e natação que na sua opinião evitariam a deterioração da articulação. Só quem ama correr imagina o que eu senti ao saber que nunca mais poderia praticar novamente o esporte que mais me dava prazer, pelo menos não sem me lesionar.
Então a partir disso fiquei por meses parado sem fazer qualquer atividade física e os efeitos da falta de exercícios começaram a aparecer. Ganho de peso, aparecimento da famosa barriguinha e dores pelo corpo, normais de quem não pratica esportes.
Outra coisa que me prejudicou muito foi o fato de meu trabalho (sou engenheiro eletricista) exigir que eu permaneça sentado a maior parte do dia em frente ao computador.
Com o passar dos meses percebi que as dores no quadril aumentaram, mesmo sem executar qualquer atividade física. E a cada dia elas me incomodavam mais.
Procurei então um médico ortopedista especialista em quadril de São José dos Campos que sugeriu que aprofundássemos os exames de imagem para confirmar o problema e ver em que estado as articulações estavam.
Após uma ressonância magnética e uma tomografia computadorizada do quadril ele confirmou o problema e me explicou com detalhes, quase que falando de engenheiro para engenheiro como funcionava a "mecânica" do quadril e o motivo das lesões.
A seguir um vídeo que mostra o movimento do fêmur com impacto tipo Cam e sua ação sobre o labrum e cartilagem da bacia.
A opinião desse médico foi de que eu deveria me submeter a artroscopia de quadril para correção do problema, visto que o impacto fêmoro acetabular na maioria das vezes evolui para um problema muito comum, a artrose de quadril. E aí só a colocação de próteses solucionaria o problema.
Aí começa uma longa jornada que contarei com detalhes no decorrer das próximas semanas e meses para que todos saibam um pouco mais sobre o impacto fêmoro acetabular, a artroscopia de quadril e os resultados que obtive. Um grande abraço e até as próximas postagens.
Ubiratan


