sábado, 21 de janeiro de 2017

As sessões de fisioterapia, a massagem e o treino funcional

As sessões de fisioterapia começaram com exercícios de movimentação das pernas de baixa amplitude. A primeira vista eles parecem não fazer efeito algum visto que estamos acostumados a exercícios de musculação e pelo menos eu, achava que a fisio seria algo mais pesado do que realmente foi.

Mais ou menos após o 40° dia de fisioterapia a situação do meu quadril estabilizou e eu não percebia mais melhora. Havia uma dor que me incomodava durante todo o dia, principalmente após me levantar quando ficava alguns minutos sentado. Mesmo assim insisti nas sessões de fisioterapia e devo ter feito cerca de 60 sessões.

Um dia decidi consultar um massagista indicado por um amigo. No dia da massagem, lembro que usei o ônibus da empresa para chegar a um ponto que ficava a umas cinco quadras da casa do massagista. Nesse trajeto andei com dificuldades, pois as dores nesse dia estavam me fazendo mancar. A primeira coisa que o massagista analisou foi a minha perna esquerda, que foi operada. Um cinco minutos de massagem na minha canela ele conseguiu tirar 95% da dor que sentia. A explicação dele foi de que a compressão dos músculos da minha canela estavam intensificando as dores no meu quadril. Nos dias seguintes a massagem sentia uma leve dor após me levantar quando sentado por alguns minutos, mas que cessava quando o músculo se aquecia. Um minuto de caminhada era suficiente para que ela desaparecesse.
Existem massagistas bons e massagistas ruins. Por isso quero deixar claro que o fato de ter resolvido no meu caso, não é garantia de resolver as dores de outra pessoa. 

Após a massagem comecei o treino funcional para fortalecimento do quadril e também do restante dos músculos que já estavam parados a algum tempo. O treino foi bom pois diminuiu a intensidade da dor que sentia após a massagem.

Atualmente corro normalmente e não sinto dores nem durante nem após as corridas. Resta ainda a leve dor que sinto após me levantar que segundo meu médico pode ser causada por encurtamento da musculatura ou alguma sequela da cirurgia. O importante é que a dor intensa que sentia antes da cirurgia sumiu.

No dia 21 de janeiro de 2017 fiz uma ressonância magnética para ver o motivo dessa leve dor que ainda sinto. Após meu médico analisar as imagens e o laudo farei nova postagem.

Abaixo mostro duas imagens de Raios X. A primeira mostra um detalhe da cabeça do meu fêmur esquerdo antes da cirurgia e a segunda logo após a cirurgia.

A curva vermelha mostra na primeira imagem a parte do osso que causava as dores ao se chocar com o acetábulo. Na segunda imagem a curva vermelha deixa claro a porção de osso que foi retirada pela cirurgia.



  Imagem feita por raios X logo antes da cirurgia





 Imagem feita por raios X logo após a cirurgia

sábado, 5 de março de 2016

A Artroscopia do I.F.A do lado esquerdo

Após a confirmação da existência do Impacto Fêmoro Acetabular através dos exames de imagem levei ainda alguns meses para decidir se me submeteria ou não a artroscopia. Compromissos do trabalho, opiniões de familiares e ainda a esperança de que as dores sumiriam me fizeram pensar um pouco mais. O problema é que a dores continuavam aumentando e isso me preocupava muito. Bem, enfim decidi cair na faca, ou melhor no bisturi. 

O que facilitou muito minha decisão foi o fato desse tipo de cirurgia ser feito através de três pequenos furos na perna, por onde o médico insere os instrumentos necessários, tornando desnecessário aquele corte extenso e que faz a recuperação ser bem mais lenta.

 
  Realização de artroscopia de quadril 
                (retirada do site http://brunorabello.com.br/artroscopia-do-quadril)                  

Fiz mais uma consulta com o especialista e marcamos o dia da cirurgia. O prazo previsto inicialmente pelo médico foi de aproximadamente 30 dias de afastamento do trabalho e que após essa data eu precisaria utilizar uma muleta para auxiliar no caminhar.

A cirurgia foi relativamente rápida e levou cerca de 4 horas entre sair do quarto e acordar na sala de cirurgia já operado. Após algumas horas conseguia até movimentar levemente a perna operada. Desde o início o médico frisou que eu não deveria deixar a perna operada sem ser movimentada ou sem encostar no chão e que deveria usar as muletas para não colocar todo o peso sobre ela.

A cirurgia foi realizada as 16 horas e eu tive alta no dia seguinte ao meio dia. No período que fiquei no hospital apenas curativos eram feitos e eram muito simples e indolores. As enfermeiras lavavam o local com soro fisiológico e cobriam com gaze. 

Vejam abaixo, e não se assustem, a parte lateral da minha coxa esquerda após a cirurgia. Essa foto foi tirada quatro dias após a cirurgia quando os hematomas já tinham aparecido. 

O corte inferior tem cerca de 2 centímetros e vejam que ele levou apenas quatro pontos. Os hematomas desapareceram após um mês aproximadamente.

Aspecto lateral da perna quatro dias após a cirurgia

O médico passava algumas vezes no quarto onde eu fiquei em repouso para verificar o aspecto da cirurgia, perguntar se eu sentia dores e fazer alguns movimentos na perna operada.

Poucas horas depois da cirurgia sentia dores no local, mas nada que se possa considerar insuportável.
No dia seguinte tive alta e fui até a portaria do hospital de cadeira de rodas, mas consegui ir até o carro usando muletas, sem sentir insegurança para caminhar apenas sentindo dores não muito intensas.

Nos dias de repouso em casa tive que tomar cuidado para não colocar peso sobre a perna esquerda, usando muletas e repousando a maior parte do tempo. Nesse período a ajuda de minha esposa, que estava de férias, foi essencial para minha recuperação. Fica aqui meu agradecimento a ela por todos os cuidados e toda a paciência, e foi muita, que teve comigo nesse período.

Uma semana após a cirurgia comecei as sessões de fisioterapia e voltei ao trabalho após quarenta e cinco dias quando ainda sentia dores leves na articulação esquerda, mas a dor que sentia antes da cirurgia desapareceu. E a diferença entre elas era facilmente percebida.

A volta ao trabalho foi tranquila. Eu procurava levantar de hora em hora para dar uma breve (e lenta) caminhada pelo escritório para movimentar a articulação já que tinha que ficar sentado a maior parte do tempo.
Nos próximos posts explicarei mais alguns detalhes das sessões de fisio e outros que deixei escapar nesse.

A foto a seguir foi tirada sete dias após a cirurgia.

Aspecto lateral da perna sete dias após a cirurgia
já com os hematomas bem reduzidos

E essa mostra a aparência lateral da perna já sem os hematomas e sem os pontos vinte e três dias após a cirurgia.

Aspecto lateral da perna vinte e três dias após a cirurgia

Um grande abraço e até o próximo post.
Ubiratan

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

As lesões iniciais e a automedicação




Buscando em minhas lembranças, hoje consigo ver que sofro com lesões no quadril há alguns anos. Nunca fui um corredor de longas distâncias (elas sempre tinham distâncias menores que 7km) e quase sempre perdia a regularidade de minhas corridas por causa de outros compromissos.
O fato é que sempre me machucava após algumas corridas mais longas. A lesão sempre acontecia na articulação esquerda do quadril, onde o fêmur se conecta ao osso da bacia.



Como a maioria dos brasileiros, sempre me automedicava, tomando um anti-inflamatório durante alguns dias, até a dor deixar de incomodar. Quando ela sumia corria normalmente durante algumas semanas, mas depois de ficar mais animado com a corrida e aumentar a distâncias das mesmas, lesão novamente.
Isso fez com que minha vida de corredor não pudesse ter a regularidade devida, que além dos compromissos pessoais e de trabalho, me faziam baixar minhas marcas.
Me lembro que isso deve ter acontecido por seis ou sete anos, antes de ser diagnosticado com impacto fêmoro acetabular do tipo CAM. (nas próximas postagens tentarei explicar a diferença entre os tipos Cam e Pincer)

I.F.A. como é conhecido, nada mais é do que quando o fêmur cresce um pouco mais do que deveria próximo da região conhecida como cabeça do fêmur. Falando de modo leigo (que é o que meu conhecimento me permite), o osso fica com um diâmetro maior nessa região e em alguns movimentos específicos das pernas, choca-se com o osso da bacia. Isso causa na maioria das vezes lesões na cartilagem da articulação e também no labrum, uma espécie de anel de vedação da articulação.

Em 2014 quando tentava aumentar as distâncias de minhas corridas cheguei a me machucar por três vezes, e após isso acontecer decidi procurar um ortopedista.
O ortopedista que me atendeu no setor de emergências de um hospital de São José dos Campos conseguiu dar o diagnóstico através de duas radiografias do quadril, uma delas chamada de frogleg (perna de sapo) que é tirada com as pernas flexionadas e abertas, conforme mostra a figura seguir.



A opinião desse ortopedista foi a de que eu deveria parar de correr para evitar dores e lesões e procurar outros esportes, tais como, bicicleta e natação que na sua opinião evitariam a deterioração da articulação. Só quem ama correr imagina o que eu senti ao saber que nunca mais poderia praticar novamente o esporte que mais me dava prazer, pelo menos não sem me lesionar.

Então a partir disso fiquei por meses parado sem fazer qualquer atividade física e os efeitos da falta de exercícios começaram a aparecer. Ganho de peso, aparecimento da famosa barriguinha e dores pelo corpo, normais de quem não pratica esportes.

Outra coisa que me prejudicou muito foi o fato de meu trabalho (sou engenheiro eletricista) exigir que eu permaneça sentado a maior parte do dia em frente ao computador.

Com o passar dos meses percebi que as dores no quadril aumentaram, mesmo sem executar qualquer atividade física. E a cada dia elas me incomodavam mais.

Procurei então um médico ortopedista especialista em quadril de São José dos Campos que sugeriu que aprofundássemos os exames de imagem para confirmar o problema e ver em que estado as articulações estavam.

Após uma ressonância magnética e uma tomografia computadorizada do quadril ele confirmou o problema e me explicou com detalhes, quase que falando de engenheiro para engenheiro como funcionava a "mecânica" do quadril e o motivo das lesões.

A seguir um vídeo que mostra o movimento do fêmur com impacto tipo Cam e sua ação sobre o labrum e cartilagem da bacia.





A opinião desse médico foi de que eu deveria me submeter a artroscopia de quadril para correção do problema, visto que o impacto fêmoro acetabular na maioria das vezes evolui para um problema muito comum, a artrose de quadril. E aí só a colocação de próteses solucionaria o problema.

Aí começa uma longa jornada que contarei com detalhes no decorrer das próximas semanas e meses para que todos saibam um pouco mais sobre o impacto fêmoro acetabular, a artroscopia de quadril e os resultados que obtive. Um grande abraço e até as próximas postagens.


Ubiratan